Jornalismo Data Driven

Última atualização: 2 de dezembro de 2021
Tempo de leitura: 2 min

O jornalismo data driven está ganhando presença nas organizações de notícias. Existem muitas razões para isso, desde fontes da mídia convencional tentando se diferenciar de seus concorrentes, até conjuntos de dados mais prontamente disponíveis.

O jornalismo baseado em dados funciona de forma diferente porque a história resultante é informada pelo processamento e análise de dados brutos, que às vezes podem acrescidos de entrevistas. Entretanto, usar dados como o foco de uma notícia, obviamente, não é novidade. O jornalismo de dados sempre esteve presente nas redações.

A novidade é a disponibilidade imediata de grandes conjuntos de dados, o acesso ao poder de computação que pode processar informações rapidamente e as ferramentas de software que tornam a análise e a visualização muito mais fáceis. O que costumava levar muito tempo para uma grande equipe de pesquisadores reunir – sem mencionar o jornalista escrevendo a história e os gráficos para ilustrar – agora pode ser feito por uma equipe significativamente menor em um cronograma muito mais restrito.

O jornalismo está cheio de dados, mas nem tudo é jornalismo de dados. Há uma diferença entre usar dados e estabelecer uma metodologia na pesquisa jornalística que tem como aspecto fundamental a organização, análise e verificação dos dados para encontrar uma história real. Os dados por si só não são suficientes. É importante verificá-los e colocar um rosto humano neles para encontrar uma história real para contar ao seu público. Esta é a proposta do jornalismo data driven.

Entretanto, sem uma metodologia sólida construída sobre critérios éticos, o uso de banco de dados neste cenário pode levar ao mau jornalismo em grande escala. Os bancos de dados podem mentir mais do que as pessoas. Mas um repórter diligente pode detectar suas mentiras com a melhor arma que o jornalismo possui: a verificação de dados além do computador.

Ao mesmo tempo, é inegável o valor acrescentado que uma base de dados dá ao trabalho jornalístico: permite analisar uma riqueza de informações de uma forma mais eficaz para olhar todas as peças de um quebra cabeça.

O jornalismo data driven está revolucionando as redações. Capacitou os repórteres a encontrar histórias por conta própria e não depender de vazamentos. Também permitiu ser mais convincente para revelar como um sistema funciona, detectar padrões de corrupção e irregularidades, conexões e casos únicos.

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Marcelo Molnar

Sobre o autor

Marcelo Molnar é sócio-diretor da Boxnet. Trabalhou mais de 18 anos no mercado da TI, atuando nas áreas comercial e marketing. Diretor de conteúdo em diversos projetos de transferência de conhecimento na área da publicidade. Consultor Estratégico de Marketing e Comunicação. Coautor do livro "O Segredo de Ebbinghaus". Criador do conceito ICHM (Índice de Conexão Humana das Marcas) para mensuração do valor das marcas a partir de relações emocionais. Sócio Fundador da Todo Ouvidos, empresa especializada em monitoramento e análises nas redes sociais.

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